terça-feira, 3 de maio de 2011

O muro e o fogo

História real:

Aos 19 anos, o jovem Alfredo olhou para o muro de mais de 4 metros de altura, com arame farpado por cima, e pensou: “Ali, por trás daquele muro, está a minha oportunidade. Eu tenho que dar um jeito de pulá-lo.” 


O muro era a proteção fronteiriça que separava a cidade de Mexicali, México, e os Estados Unidos. Alfredo nasceu em Mexicali e começou a trabalhar desde os 5 anos de idade no pequeno posto de gasolina onde seu pai era dono.

Um dia, Alfredo viu uma cena que nunca mais esqueceu: Encontrou seu pai chorando em casa. O pequeno negócio do posto de gasolina, que mal dava para manter a família, havia ido a falência. O conselho de seu pai: “Se você quiser acabar como eu, não vá a escola.”

Alfredo entendeu o recado.

Se dedicou aos estudos como nunca. Mas em Mexicali, mesmo conseguindo um emprego de professor aos 18 anos, o salário que ganhava não dava para nada. Foi quando o jovem mexicano decidiu que tinha que pular aquele muro, de alguma forma.

E assim fez.


Do outro lado do muro, como imigrante ilegal, tudo o que Alfredo conseguiu foi um emprego de colhedor nas vastas fazendas de tomate da Califórnia. Suas mãos feridas no final do dia recebiam alguns dólares que lhe permitiam comer e alugar um trailer velho para dormir. Mas não se esquecendo das palavras de seu pai, o imigrante economizava tudo o que podia para pagar a escola onde estudava a noite.

Como Alfredo não falava nem escrevia bem o inglês, se dedicou a matemática e a ciência, pois não requeriam muita escrita como outras matérias. Intrigados com a dedicação do jovem, seus amigos gozavam dele e diziam: “Cara, estudar pra quê? Você nunca vai ser nada mais que um imigrante ilegal. Guarda o teu dinheiro.”

Aquilo fez nascer um fogo dentro de Alfredo. Em suas palavras:

As vezes eu chorava sozinho e me perguntava, O que estou fazendo aqui? Mas as vozes daqueles que me diziam que era impossível, que eu nunca ia ser nada, me faziam mais e mais determinado, como se um fogo queimasse no meu peito. Eu decidi ser o melhor em tudo o que fazia, e trabalhar mais duro que todos ao meu redor.

O ano era 1988.

Por sua dedicação aos estudos, Alfredo ganhou uma bolsa na Universidade Berkeley da Califórnia, e de lá foi a Escola de Medicina de Harvard, uma das universidades mais conceituadas do mundo.

Hoje, em 2011, aos 42 anos, Alfredo — ou melhor, o Dr. Alfredo Quiñones-Hinojosa — é um dois neuro-cirurgiões mais respeitados do mundo. Trabalha no Hospital John Hopkins em Baltimore, estado de Maryland nos Estados Unidos, onde além de cuidar de seus pacientes, lidera uma equipe que estuda e busca a cura para o câncer no cérebro.

Casado, realizado no que faz, feliz, hoje cidadão americano e muito próspero, o Dr. Alfredo diz que aquele fogo que nasceu dentro dele quando lhe disseram que ele nunca ia ser nada ainda queima:

Eu não tenho medo do fracasso. Acho que o medo é bom, pois lhe faz trabalhar como nunca para evitar o que lhe assusta. Se eu não conseguir a cura para o câncer, não importa. Mas eu creio que se eu dou o melhor de mim para o que faço, o que faço dará o melhor resultado de volta para mim.


Postado por: Bp. Renato Cardoso 

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